Para aqueles me que chateiam pela atenção que não os devoto quando estou lendo, segue o trecho abaixo (pena que não sei quem escreveu)... mas é tudo o que sinto quando estou com um bom livro...


"E eu leio em busca de me libertar desse mundo, quando eu leio é como se eu viajasse pra outro lugar, um lugar só meu que só existe dentro da minha cabeça. E quando eu me dou conta eu to vivendo aquela historia, eu sou a personagem principal, eu que faço as coisas acontecerecem, porque afinal aquele é meu mundo, minha historia só minha. E durante alguns minutos eu esqueço da minha verdadeira vida, de quem eu sou realmente e passo a ser guiada por minha imaginação, e eu sou capaz de passar horas assim, com um livro na mão e um sorriso no rosto."


Pai



‎'Pai,

Eu deitei, abri o livro, mas não li uma palavra. Não li porque essa outra palavra me interrompeu: pai. E no instante que ela surgiu lágrimas brotaram, lembranças romperam barreiras, e a represa arrebentou. E acho que preciso escoar toda água, toda mágoa, todas as letras que crio tentando cercar o que sempre escapa: a falta.

Você me faz falta. A sua ausência me marcou, me marca, a cada dia.  Eu gostaria que você tivesse estado ao meu lado nos “grandes momentos” (...) Mas não é nessas horas que dói mais. A sua ausência pesa mesmo é em momentos simples. (...) E, assim, sem motivo, quando abro um livro e ouço a palavra: pai. E sinto que preciso te escrever. É isso, agora eu escrevo, pai. Os livros que você tanto adorava tornaram-se meus companheiros ainda mais necessários desde que você se foi.

Comecei essa carta com uma necessidade avassaladora de escrever sem saber como ou o que escrever. Agora acho que essas letras são, como tudo que escrevo, tentativa de dar conta do que o pensamento não consegue. Tentativa de construir uma borda que seja na tua falta, que é a minha falta, que é o vazio e a solidão de todo e qualquer sujeito. E vivo dividida entre buscar a solidão e fugir dela. Porque a solidão dói, mas estar com o outro me assusta, pai. Eu tenho sempre muito medo de perder mais alguém como perdi você. Cada vez que alguém sai da minha vida eu sinto tua morte de novo. E dói, muito, então eu me poupo, afrouxo o laço, solto a corda, abro a mão. A dor da solidão é sempre a mesma. A dor da perda é sempre nova, cada perda re-significa todas as anteriores. Fugir do novo sempre me parece a melhor opção. Mas ao mesmo tempo não quero ficar sozinha. Acho que também por isso escrevo essas palavras.

Eu preciso da tua mão, pai. Preciso que você me ensine que a tua morte não te encerrou em mim. Que você continua aqui. Que os laços, quando são reais, não se desfazem com a ausência, nem com a morte. O laço que liga uma pessoa à outra é o mesmo que liga essas duas pessoas ao mundo. Diz-me então, pai, com essas letras que eu escrevo, mas que vieram de você, que a solidão existe, mas que ela não é tudo. Que os laços contornam, amarram, seguram. Que nascemos e morremos sós, mas que as palavras já nos diziam antes de nascermos e continuarão nos escrevendo depois que morrermos. E que é por isso que escrevo. É que, quando escrevo, não estou só.'


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